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28 janeiro 2024

2024 e a necessidade de desacelerar

     Olá! Como estão as coisas por aí? Por aqui tudo bem.

    Todo ano falo que vou fazer diferente e ao passar o tempo acabo me perdendo. 2024 vai ser diferente, eu sinto isso. Não vou colocar mil metas irrealizáveis como faço todo ano, apenas coisas simples. 

    Ainda não disse a novidade: vou tentar intercâmbio para a França esse ano! Em agosto do ano passado comecei a estudar francês do 0 me preparando para isso, estudava muitas horas por dia ao mesmo tempo que me dedicava pelo menos 10 horas para a faculdade. Foi bem difícil. Marquei minha prova oficial do tcf para dia 07/02 e estou estudando muito agora nas férias para conseguir tirar o nível B1 que preciso para o intercâmbio.

    Estou com alguns problemas com a Aliança Francesa de BH, mas espero que dê tudo certo. Volto para contar. 

    Estou de férias na casa dos meus pais e é incrivelmente difícil para mim ficar aqui. Todos os traumas de infância voltam e parece que tenho 8 anos de novo, é muito doloroso. 

    Comecei terapia pela psymeet, é uma terapia social com um valor de 30,00 para pessoas de baixa renda. Graças à Deus achei esse site, porque não tenho condições de pagar o valor cheio de uma terapia e preciso muito resolver as coisas aqui dentro. Sou extremamente ansiosa e sempre resolvi isso de forma sozinha achando que conseguiria. Porém, entendi que não posso sozinha.

    Para esse ano é isso: tentar o intercâmbio e cuidar da cabeça. 

    Acredito que muita das vezes falhamos com as nossas metas porque estamos um caos por dentro e não damos conta. É preciso cuidar do nosso interior para depois criarmos metas.

    Acredito que fazendo terapia e tratando minha ansiedade, as coisas vão fluir de forma natural. Vou conseguir voltar pra minha rotina de exercício físico, leituras e todas as coisas que eu gosto e que me fazem bem.

    Acredito que 2024 é o ano para desacelerar. Sempre fui multitarefas e me orgulhei por isso, todos os meus amigos me acham uma pessoa muito forte que enfrenta tudo de cabeça erguida, mas eu estou cansada disso. Não temos necessidade disso.

    Para quê fazer várias tarefas ao mesmo tempo? É preciso desacelerar e viver o momento, sentir o nosso corpo e aproveitar da felicidade diária. Faz muito tempo que não sei o que é isso. 

    Quero mudar vários comportamentos que tenho e que graças à terapia consigo entender que são comportamentos que desenvolvi para "me proteger", mas que agora já está tudo bem e eu não preciso mais me proteger de nada, nem ninguém. 

    Terapia é muito importante, por favor façam. 

    É isso! 2024 é o ano de curar, e eu acredito que após a cura poderemos conquistar todas as metas que quisermos. 

    Com carinho, Clara.

19 abril 2023

Quanto tempo o tempo tem?

     Esse ano tinha prometido a mim mesma registrar o máximo dos meus dias em posts aqui para o blog, com fotos e recordações. Claramente, não consegui. 

    Queria ter um lugar seguro para voltar daqui a 50 anos e relembrar os mais pequenos sentimentos que tive em um dia qualquer. Tenho falhado quanto a isso, mas quero melhorar.

    O tempo passa muito rápido e eu fico me perguntando quanto tempo o tempo tem, porque sinto que mal vejo ele passando. Sempre saindo de casa cedo e chegando tarde, isso é viver?

    Queria perceber mais os dias, poder perceber as coisas pequenas que enchem nosso dias. Hoje, só consigo perceber as coisas que dão de errado ou que podem dar errado. Uma ansiedade que não passa.

    Sei que futuramente tudo que fazemos vale a pena (ou quase tudo), mas o futuramente algum dia chega? 

    Me sinto mais perto de Clarice do que nunca. Enfrento cara a cara a contradição que é viver: ou vive por viver ou apenas existe. Não dá pra fugir muito disso. 

    Clarice tinha isso claro na vida dela. Ela sempre soube que a vida não é tudo isso que colocam na nossa cabeça, a vida é simplesmente estarmos vivos, o resto são detalhes.

    Estar vivo e não se sentir vivo é estranho. Mais estranho é se esforçar para se sentir vivo e só realmente se sentir vivo perto de outras pessoas. Ás vezes, paro. Simplesmente paro e encaro o nada. O vazio.

    Qual a diferença entre felicidade e a tristeza se não apenas um momento? Para sermos felizes não precisamos fazer escolhas? E para fazer escolhas não precisamos abrir mão de algo? Como sabemos se aquilo que abrimos mão não nos faria mais felizes do que aquilo que escolhemos?

    Ninguém é feliz o tempo todo. Ninguém é feliz 10% do tempo que seja. Felicidade não é um conceito estável, apenas uma sensação. Nada te dá felicidade, você simplesmente escolhe ser feliz. Mas como?

    Desculpem a falta de humor. 

06 março 2023

O que a ansiedade tira da gente

     Sou bem ansiosa. Não tenho crises de ansiedade ou pensamentos suicidas, mas não consigo dormir por causa da ansiedade.

    Fico horas rolando na cama tentando dormir e a cabeça até dói de tanto pensar. No outro dia, acordo com dor de cabeça e olhos ardendo. Acumulo sono desde criança e acho que ja me acostumei com isso. 

    Sinto que carrego o mundo nas costas, tenho 18 anos, não moro mais com meus pais, estudo o dia inteiro e preciso saber como vou me virar sem a ajuda financeira dos meus pais.

    Estou esperando o resultado do auxílio financeiro da minha faculdade. Sai na quarta feira (08/03), volto aqui para contar para vocês se consegui ou não. Torçam por mim.

    Meu namorado me ajuda pra caramba, me dá todas as forças que preciso. faz carinho em mim até eu conseguir dormir e dorme de conchinha comigo a noite toda. 

    Eu tomo chás, leio à noite,  paro de mexer no celular antes de dormir, alongo, escrevo, mas nada realmente ajuda a dormir. Preciso fazer terapia e cuidar dessa ansiedade. Não quero depender de remédios.

    Comprei umas vitaminas para acabar com a minha anemia e ver se consigo dormir melhor. Por causa da anemia, faz quase um ano que vivo como um zumbi, só fazendo coisas atrás de coisas sem realmente saber o que estou fazendo. Acordo cedo sem disposição e empurro o resto do dia. Não da pra viver assim.

    Enfim, apenas um desabafo sobre o que a ansiedade tira da gente. Espero que nenhuma de vocês tenha isso. 

03 fevereiro 2023

missing out

     Não moro com meus pais há quase um ano. Fui a primeira da família a ir embora e fazer uma federal, isso me deixa muito feliz. Mas ao mesmo tempo... a sensação de missing out é enorme, e acaba comigo. Estou perdendo todos os momentos de família, aniversários, comemorações, cafés da tarde, bate papos. 

    Passei um mês na casa dos meus pais e daqui a pouco vou voltar para a minha cidade, e quase não aguentei o rostinho chorão da minha mãe, isso parte o meu coração. 

    Eu sei que é o curso natural das coisas, mas é difícil. Sinto que estou perdendo momentos com eles, e que depois vai ser muito tarde... 

18 janeiro 2023

A falta que as palavras fazem

  Tento escrever, mas só consigo encarar o papel por minutos que passam apressados. Não estou inspirada hoje para citar Hume ou Clarice, nada me vem a mente. Apenas sinto um aperto no coração.

Conviver diariamente com você me fez aprender tanto, principalmente sobre gentileza. Você é muito gentil, e isso me encanta.

Penso muito sobre os motivos que me fazem amar você, e esse é um deles. A verdade é que amar você é fácil demais.

Queria poder te abraçar e não soltar mais, queria morar no seu colo para sempre. Poder acordar, sorrir e te dar um beijo.

Não estou conseguindo escrever frases com períodos longos, apenas essas que finalizam com pontos antes de conseguir dizer tudo o que eu preciso. 

Eu me sinto a pessoa mais feliz do mundo por compartilhar do seu amor. Sinto-me amada como nunca achei que merecesse, e amo como nunca pensei que fosse capaz. Quero tudo com você.

09/11/2022 22:03

21 março 2022

Viver a vida como se cozinha feijão

Acabei de perceber isso. Cozinhar feijão sempre me deixa apreensiva e ansiosa, por mais que o faço quase toda semana. Cresci ouvindo que panela de pressão é perigosa e que pode explodir se não tomar cuidado. 

Minha mãe demorou a me deixar cozinhar feijão, mesmo que eu tenha aprendido a cuidar da cozinha e a cozinhar muito cedo. Cozinhar feijão, não. 

Um dia, porém, eu fiz. Fui contra a vontade da minha mão por necessidade. Não tinha feijão cozido e eu precisava deixar a janta pronta para quando os meus pais chegassem do serviço. Respirei fundo, procurei coragem e peguei a panela, enchi de água, lavei o feijão, coloquei na panela e coloquei no fogo com pressão. Fiquei os 30 minutos vigiando cada barulho que a panela fazia e com um medo absurdo dela explodir no meu rosto. 

Deu certo. Fiz um feijão muito gostoso no final. Quando minha mãe chegou, vi que ficou incomodada (porque poderia ter dado errado), mas feliz (porque tinha feijão para a janta).

E só agora que percebi que viver a vida adulta é como cozinhar feijão. Estou apreensiva e ansiosa de sair da casa dos meus pais e mudar de cidade para estudar na federal, e sinto que a qualquer hora a vida vai explodir no meu rosto. Porém, no fundo, estou muito feliz.

Preciso procurar coragem em mim para viver como procuro para cozinhar feijão. Pode ser que dê errado e não fique 100% cozido, mas vai matar a fome. 

Meus pais vão se incomodar, mas ficarão felizes no final (por me ver construindo minha própria vida).

Viver a vida como se cozinha feijão. Com coragem.

13 janeiro 2022

Minha eterna companheira

O objetivo desse blog é eternizar momentos na minha memória, sejam eles bons ou ruins. Eu gosto de escrever porque me traz uma sensação de conforto. Esse texto, em especial, espero ler daqui a uns 38 dias. Até lá saberei o que irei fazer da vida.

Esse momento de espera é angustiante. Passei minha vida inteira estudando para uma prova achando que ela fosse salvar minha vida. Estou esperando esse momento chegar para eu finalmente começar a viver. E eu sei que isso não é uma coisa boa. Passar na faculdade, sair da casa dos meus pais, "ser independente" não vai fazer com que eu comece a viver a minha vida. Preciso fazer isso agora. Mas não consigo. 

Daqui a 38 idas voltarei para contar se vou para a faculdade ou não. Mas melhor do que isso: vou contar que, independentemente da resposta, eu vou começar a viver.

Estou tentando arrumar coisas para fazer nas férias. Tenho dedicado meu tempo quase 100% a dançar, ler (estou viciada em Shakespeare e Agatha Christie) e escrever para o outro blog (que é o meu trabalho). 

Estou escrevendo esse texto enquanto ouço Manhã de Carnaval, disco do Tom Jobim que possui uma capacidade gigantesca de me acalmar. E eu preciso me acalmar. 

Ando muito próxima da minha eterna companheira: a ansiedade. Passamos nossas manhãs juntas e dormimos agarradas (ou melhor, não dormimos). Ando com olheiras profundas de madrugadas mal dormidas e que estão ficando roxas, a prova de que não estou bem.

Me sinto mal por ter tanto tempo, não trabalhar e mesmo assim não estar feliz. Tenho o dia todo para fazer o que eu quiser e mesmo assim não estou feliz. Eu gosto de rotinas. De trabalho. De fazer algo. 

Acordo às 7. Tomo café assistindo Seinfeld. Trabalho um pouco no blog. Estudo espanhol. Faço almoço. Arrumo cozinha. Treino com o youtube. Tomo banho. Tomo café. Trabalho mais. Estudo filosofia. Estudo programação. Passeio com a Mel. Leio Shakespeare. Faço janta. Tento dormir. Não consigo. Acordo. Tomo café...

Hoje fui a rua para pagar um boleto e trocar meus livros na biblioteca municipal, tenho ido lá direto. Passo horas escolhendo qual livro vou levar e nem vejo o tempo passar enquanto me divirto descobrindo autores e obras as quais tenho muita vontade de conhecer.

Queria ter alguém para falar sobre livros. Tenho um instabook, mas tá ficando chato. Criar conteúdo é a minha paixão, mas quando mistura o prazer de ler com a responsabilidade de criar conteúdo todos os dias, fica chato. Não estou muito mórbida esses dias, apesar de bem existencialista. Isso eu sempre estou. Principalmente agora.

Peguei "O Estrangeiro" do Camus, e foi bem engraçado. Estou estudando desde ontem sobre ele e foi o primeiro livro que vi hoje na biblioteca, foi como se o livro me chamasse, ele me atraiu e me conquistou. Uma vez conquistada por Camus e pelo absurdo, nunca mais voltamos ao velho homem. Não quero mais ser a velha Clara. Quero ser a Clara que nunca tive a oportunidade de ser.

Tirando as coisas ruins, tem sido um tempo bom. Para me dedicar aos meus estudos e aos meus hobbies. Tenho lido bastante, vi bastante filmes clássicos em Dezembro, mas parei porque enjoei e filme, mas estou voltando aos poucos. Estou assistindo "Chinatown", porque ainda estou focada em assistir os clássicos da década de 70. Depois vou para a de 80. Assistir filmes clássicos não é fácil, exige muito de nós, assim como um livro de Camus. Porque o cinema foi feito para nos virar do avesso, se não o faz, não tem muita qualidade, normalmente.

Tenho retomado o gosto pelo exercício físico, estou me aventurando mais na cozinha. E o melhor, ou pior: tenho lidado muito comigo. Meus pensamentos e tudo aquilo que sou, mas eu não conheço.

Espero voltar com boas notícias.